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- APRESENTAÇÃO
A ABRAPIA, contando
com o patrocínio da PETROBRAS, realiza um Programa que visa
diagnosticar e implementar ações efetivas para a redução
do comportamento agressivo entre estudantes de 11 escolas localizadas
no Município do Rio de Janeiro. É seu objetivo sensibilizar
educadores, famílias e sociedade para a existência
do problema e suas conseqüências, buscando despertá-los
para o reconhecimento do direito de toda criança e adolescente
a freqüentar uma escola segura e solidária, capaz de
gerar cidadãos conscientes do respeito à pessoa humana
e às suas diferenças.
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CONCEITUAÇÃO
- O
que é Bullying?
O termo BULLYING compreende
todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas,
que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um
ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia,
e executadas dentro de uma relação desigual de poder.
Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio
de poder são as características essenciais, que tornam
possível a intimidação da vítima.
Por não existir
uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as
situações de BULLYING possíveis, o quadro, a
seguir, relaciona algumas ações que podem estar presentes:
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Colocar apelidos
Ofender
Zoar
Gozar
Encarnar
Sacanear
Humilhar
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Fazer
sofrer
Discriminar
Excluir
Isolar
Ignorar
Intimidar
Perseguir
Assediar
Aterrorizar
Amedrontar
Tiranizar
Dominar
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Agredir
Bater
Chutar
Empurrar
Ferir
Roubar
Quebrar pertences |
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- E
onde o Bullying ocorre?
O BULLYING é
um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola,
não estando restrito a nenhum tipo específico de
instituição: primária ou secundária,
pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que
as escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING
entre seus alunos, ou desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.
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- De
que maneira os alunos se envolvem com o Bullying?
Seja qual for a atuação
de cada aluno, algumas características podem ser destacadas,
como relacionadas aos papeis que venham a representar:
- alvos de Bullying
- são os alunos que só sofrem BULLYING;
- alvos/autores de Bullying - são os alunos
que ora sofrem, ora praticam BULLYING;
- autores de
Bullying - são os alunos que só praticam BULLYING;
- testemunhas de Bullying - são os alunos que não
sofrem nem praticam Bullying, mas convivem em um ambiente onde isso
ocorre.
§ Os autores são,
comumente, indivíduos que têm pouca empatia. Freqüentemente,
pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouco
relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais exercem uma supervisão
pobre sobre eles, toleram e oferecem como modelo para solucionar conflitos
o comportamento agressivo ou explosivo. Admite-se que os que praticam
o BULLYING têm grande probabilidade de se tornarem adultos com
comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo vir a adotar,
inclusive, atitudes delinqüentes ou criminosas.
§ Os alvos são
pessoas ou grupos que são prejudicados ou que sofrem as conseqüências
dos comportamentos de outros e que não dispõem de recursos,
status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra
si. São, geralmente, pouco sociáveis. Um forte sentimento
de insegurança os impede de solicitar ajuda. São pessoas
sem esperança quanto às possibilidades de se adequarem
ao grupo. A baixa auto-estima é agravada por intervenções
críticas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento.
Alguns crêem ser merecedores do que lhes é imposto. Têm
poucos amigos, são passivos, quietos e não reagem efetivamente
aos atos de agressividade sofridos. Muitos passam a ter baixo desempenho
escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a simular
doenças. Trocam de colégio com freqüência,
ou abandonam os estudos. Há jovens que estrema depressão
acabam tentando ou cometendo o suicídio.
§ As testemunhas,
representadas pela grande maioria dos alunos, convivem com a violência
e se calam em razão do temor de se tornarem as "próximas
vítimas". Apesar de não sofrerem as agressões
diretamente, muitas delas podem se sentir incomodadas com o que vêem
e inseguras sobre o que fazer. Algumas reagem negativamente diante
da violação de seu direito a aprender em um ambiente
seguro, solidário e sem temores. Tudo isso pode influenciar
negativamente sobre sua capacidade de progredir acadêmica e
socialmente.
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- E
o Bullying envolve muita gente?
A pesquisa mais extensa
sobre BULLYING, realizada na Grã Bretanha, registra que 37%
dos alunos do primeiro grau e 10% do segundo grau admitem ter sofrido
BULLYING, pelo menos, uma vez por semana.
O levantamento realizado
pela ABRAPIA, em 2002, envolvendo 5875 estudantes de 5a a 8a séries,
de onze escolas localizadas no município do Rio de Janeiro,
revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos
em atos de Bullying, naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores
e 12,7% autores de Bullying.
Os meninos, com
uma freqüência muito maior, estão mais envolvidos
com o Bullying, tanto como autores quanto como alvos. Já entre
as meninas, embora com menor freqüência, o BULLYING também
ocorre e se caracteriza, principalmente, como prática de exclusão
ou difamação.
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- Quais
são as conseqüências do Bullying sobre o ambiente
escolar?
Quando não há
intervenções efetivas contra o BULLYING, o ambiente
escolar torna-se totalmente contaminado. Todas as crianças,
sem exceção, são afetadas negativamente, passando
a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Alguns alunos, que
testemunham as situações de BULLYING, quando percebem
que o comportamento agressivo não trás nenhuma conseqüência
a quem o pratica, poderão achar por bem adotá-lo.
Alguns dos casos citados
na imprensa, como o ocorrido na cidade de Taiúva, interior
de São Paulo, no início de 2003, nos quais um ou mais
alunos entraram armados na escola, atirando contra quem estivesse
a sua frente, retratavam reações de crianças
vítimas de BULLYING. Merecem destaque algumas reflexões
sobre isso:
- depois de muito sofrerem,
esses alunos utilizaram a arma como instrumento de "superação
do poder que os subjugava.
- seus alvos, em
praticamente todos os casos, não eram os alunos que os agrediam
ou intimidavam. Quando resolveram reagir, o fizeram contra todos da
escola, pois todos teriam se omitido e ignorado seus sentimentos e
sofrimento.
As medidas adotadas pela
escola para o controle do BULLYING, se bem aplicadas e envolvendo
toda a comunidade escolar, contribuirão positivamente para
a formação de uma cultura de não violência
na sociedade.
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- Quais
são as conseqüências possíveis para os alvos?
As crianças que
sofrem BULLYING, dependendo de suas características individuais
e de suas relações com os meios em que vivem, em especial
as famílias, poderão não superar, parcial ou
totalmente, os traumas sofridos na escola. Poderão crescer
com sentimentos negativos, especialmente com baixa auto-estima,
tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento.
Poderão assumir, também, um comportamento agressivo.
Mais tarde poderão vir a sofrer ou a praticar o BULLYING
no trabalho (Workplace BULLYING). Em casos extremos, alguns deles
poderão tentar ou a cometer suicídio.
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- E
para os autores?
Aqueles que praticam
Bullying contra seus colega poderão levar para a vida adulta
o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas
no seio familiar (violência doméstica) ou no ambiente
de trabalho.
Estudos realizados em diversos países já sinalizam
para a possibilidade de que autores de Bullying na época
da escola venham a se envolver, mais tarde, em atos de delinqüência
ou criminosos.
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- E
quanto às testemunhas?
As testemunhas também
se vêem afetadas por esse ambiente de tensão, tornando-se
inseguras e temerosas de que possam vir a se tornar as próximas
vítimas.
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